Artes Visuais Exposições

Artista Peruana abre Série de Exposições Individuais na 34a Bienal de SP

A artista Ximena Garrido-Lecca em frente à obra "Insurgencias botánicas: Phaseolus Lunatus" na 34a Bienal de SP (Crédito: Divulgação/Fundação Bienal)

A 34ª Bienal de São Paulo  Faz escuro mas eu canto abriu, no último sábado, a primeira da série de três exposições individuais que introduzem parte dos temas que serão retomados pela mostra principal, em setembro deste ano. A mostra monográfica da artista peruana Ximena Garrido-Lecca inaugura a série com nove obras, entre instalações, fotografias e vídeos, que estarão expostas no 3º pavimento do Pavilhão da Bienal até 15 de março.

Trata-se da primeira exposição individual no Brasil da artista, que transita entre Lima e Cidade do México e pesquisa a história do Peru e os impactos dos processos coloniais e suas consequências na contemporaneidade. Em sua obra, Garrido-Lecca parte com frequência de um estudo de técnicas e materiais empregados no artesanato, arte e arquitetura ao longo da história peruana. As instalações apresentadas na 34ª Bienal utilizam técnicas ancestrais de cerâmica e tecelagem, além de materiais como cobre (um do principais produtos de exportação do Peru), óleo, madeira, arame e plantas.

Um de seus trabalhos mais curiosos, “Insurgencias botánicas: Phaseolus Lunatus” (2017), é uma instalação com estrutura hidropônica em que são plantadas mudas de favas da espécie Phaseolus lunatus. Como as plantas irão crescer ao longo do ano, o público terá a oportunidade de acompanhar diferentes momentos da  transformação da instalação, num movimento que de certa forma simboliza o da própria Bienal, que é inaugurada agora mas irá se ampliando, transformando e problematizando até dezembro.

Outra obra de destaque é a instalação “Proyecto país”, que integra a série “Paredes de Progreso”, realizada pela artista entre 2008 e 2012, a partir de uma pesquisa sobre anúncios pintados em paredes de adobe na região do Vale Sagrado, no Peru. Erguidos segundo uma técnica construtiva tradicional, esses muros se tornaram suporte para slogans políticos e logotipos partidários, que vão desvanecendo até desbotar por completo. Integram ainda a exposição a série de fotografias “Divergent Lots” e o vídeo “Líneas de Divergencia”.

Carla Zaccagnini, curadora convidada da 34ª Bienal, explica: “começamos a 34ª Bienal de São Paulo com esta série de obras de Ximena Garrido-Lecca. Obras que podem nos ajudar a enxergar as relações existentes entre a invenção da eletricidade, a extração do cobre, a demarcação da terra, a depredação do solo e a disseminação de povos. Porque sabemos que a arte pode nos dar ferramentas para lidar com momentos difíceis em que outras linguagens nos faltam ou falham”.

Performance “A Maze in Grace” assinada pelo músico Neo Muyanga (Crédito: Divulgação/Fundação Bienal)

Ainda no sábado, pela manhã, aconteceu a performance inédita “A Maze in Grace” do compositor, artista sonoro e libretista Neo Muyanga. Na ocasião, um coro de 40 vozes ocupou os três andares do Pavilhão da Bienal, cantando uma nova composição para a melodia da conhecida ‘Amazing Grace’, frequentemente apresentada como um hino de rituais de luto público em diferentes partes da África, e que possui conotação política religiosa para a comunidade afro-americana nos EUA. O coletivo teatral paulistano Legítima Defesa participou da performance, assim como a artista Bianca Turner, que assina o videomapping utilizado na obra.

A exposição de Ximena Garrido-Lecca é realizada em parceria com o CCA Wattis (São Francisco, EUA), que, em 2021, vai receber uma individual da artista como parte das colaborações internacionais da 34ª Bienal de São Paulo.  A visitação pode ser feita de quarta a domingo, das 10 às 18h, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, Parque Ibirapuera. A entrada é gratuita.

 

Fonte: Fundação Bienal

Compartilhar:

Comentários

Clique para comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade