Artes Visuais Exposições

Exposição “Minha Verdade é Vermelha” será aberta amanhã na Galeria J. Inácio

Xilogravura bordada presente na exposição "Minha Verdade é Vermelha" (foto: divulgação)

Antes que as luzes de 2019 se apaguem, a artista visual e designer gráfico Gabi Etinger estará mostrando seus novos trabalhos, a partir de amanhã, na Galeria de Arte J. Inácio, dentro da exposição “Minha Verdade é Vermelha”. Composta por cinco trabalhos- dentre os quais, gravuras, fotografias, painel, escultura e um gif animado que será projetado em tecido-, a individual é fruto de experimentos que Etinger vem fazendo com lã vermelha bordada sobre gravuras.

Criando xilogravuras desde 2007, Gabi sentiu-se atraída a acrescentar o bordado sobre as gravuras, em junho deste ano, quando recebeu o convite para fazer parte da exposição coletiva sobre Maternagem (UFS), sob a curadoria de Maicyra Leão e Jhon Eldon. “Esse convite despertou a ideia de bordar sobre as gravuras. Criei o trabalho ‘Serpentepoemaovariano’ com 10 xilogravuras compondo uma narrativa visual, interligadas pela lã vermelha bordada sobre as gravuras. Esse trabalho estará em ‘Minha Verdade é Vermelha’ e foi a partir dele que surgiram os experimentos com linha”, explica a artista.

As gravuras de ‘Serpentepoemaovariano’ são imagens que representam o corpo feminino de maneira subjetiva. Segundo Gabi Etinger, a escolha do bordado ‘tridimensionalizou’ o trabalho, dando a ideia de algo rompido e extravasado. “O bordado está presente em trabalhos de artistas que admiro, como Rosana Paulino e Bispo do Rosário. Com certeza essa é uma informação que o inconsciente deixa escapar no momento da criação. Além do contato direto com minha irmã, Dani Etinger, que trabalha com bordado”.

Quando questionada sobre o título da exposição, Etinger esclarece: “o nome da exposição traz a cor símbolo do discurso da exposição, construída com reflexões sobre sexualidade e gênero em corpos constituídos pela mesma matéria, o sangue. A palavra verdade é um contraponto às fake news. O jogo de poder está tão forte que as pessoas esquecem como o ser humano é frágil. A vida está complicada e não precisaria ser assim”.

Com trabalhos concebidos artesanalmente, a exceção é o gif, que tem “o dedo da designer”, finalizado no Photoshop.  “Senti a necessidade de criar pequenas histórias e o gif tem me ajudado na possibilidade da imagem em sequência. Faço gif por ser a maneira mais simples que encontrei para fazer pequenas animações”, diz.

A exposição será aberta, amanhã, às 18h, na Galeria J. Inácio (localizada no 1º andar da Biblioteca Pública Epiphanio Dória) e permanecerá em cartaz até o dia 27 de janeiro de 2020.

A artista visual Gabi Etinger (foto: divulgação)

Trajetória artística

Num período de uma década, Gabi Etinger já realizou quatro exposições. A primeira individual chamou-se “Tramas” (2010) e aconteceu na Galeria Espaço d’ Época, onde a artista visual, então graduanda do curso de Designer Gráfico, expôs  xilogravuras, adesivos em grande formato e instalação, norteada pelo subjetivo feminino, num processo criativo intuitivo, com curadoria de Silvane Azevedo.

A segunda exposição foi “Xiloanime” (2010), na Galeria Sesc Centro, onde a artista experimentou a impressão de xilogravuras temáticas sobre páginas dos mangás, já que estava fascinada por animes. A terceira exposição foi “Êxodo” (2012), na Galeria Sesc Centro, em parceria com o fotógrafo Victor Balde. Na ocasião, Etinger fez interferências xilográficas sobre registros fotográficos feitos em cinco municípios sergipanos.

A quarta exposição foi “O Amor em Retalhos” (2013), onde a artista contou com a parceria do marido e jornalista Rian Santos, que assinou a curadoria da individual realizada na Sala 2 da Galeria Jenner Augusto. Nesta exposição, em que Gabi trabalhou com tinta spray e estêncil, a trilha sonora ficou sob a responsabilidade de Alexandre Marreta e os efeitos ficaram a cargo de Alisson Coutto resultando numa experiência bem imersiva para o visitante.

Nesse ínterim, Gabi Etinger  lançou a Calango – empresa de design e comunicação – voltada para a área cultural local. Dessa forma a artista pode desenvolver um design autoral dentro do seu ateliê. São seis anos com a Calango e um portfólio extenso. Agora, a artista que se inspira nos trabalhos de Adriana Varejão, Rosana Paulino, Berna Reale, Alan Adi, Bispo do Rosário, Cildo Meireles e Marcos Suruba para criar sua arte tão particular e visceral chega à 5ª exposição “Minha Verdade é Vermelha”, selecionada pelo edital de ocupação da Galeria J Inácio e Palácio Museu Olímpio Campos.

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