Cinema Entrevistas

De “Presidente” a “quase” Prefeito

Rui Ricardo na première de “Aos Ventos que Virão” em Aracaju

Assim que me viu, chegando ao Cine Vitória, para conferir a pré-estreia de “Aos Ventos que Virão”, na última quarta-feira, à noite, o ator Rui Ricardo Diaz fez questão de me cumprimentar e disse, estar feliz com a minha presença ali.  Eu o havia entrevistado em 2010, por ocasião das filmagens de “Aos Ventos que Virão” em Sergipe (praticamente, 80 % do filme foi rodado em Poço Redondo e o restante, em São Paulo) e, o experiente ator de teatro, com formação na TUCA (Escola de Teatro da Universidade Católica da PUC) e na International Scholl of Corporeal Mime- Londres) até àquele momento, havia protagonizado apenas um longa – “Lula, o Filho do Brasil” de Fábio Barreto.

Como em “Lula”, Rui Ricardo não decepciona na pele do ex-cangaceiro, Zé Olímpio, protagonista do novo filme de Hermano Penna. Depois da morte de Lampião,  Olímpio vê-se obrigado a fugir para São Paulo, a fim de não ser morto pela volante. Trabalha um tempo na construção civil, no Sudeste do país,  mas retorna à sua cidade natal, Poço Redondo, para resolver questões de herança e decide enveredar pela política. Candidata-se a prefeito da cidade, mas depara-se com a corrupção que acontece até hoje no cenário político nacional. Termina sendo preso, acusado de crime eleitoral e seu fim, prefiro me abster de contar, para não estragar a surpresa.Após a sessão, colegas da equipe de filmagem, que Rui não via há quase dois anos e admiradores do seu trabalho, queriam parabenizá-lo por mais uma atuação exemplar. Consegui driblá-los, momentaneamente, e Rui concedeu-me uma entrevista breve. Confiram, a seguir:

Você estreou na telona, fazendo o papel de “Lula”, então presidente do Brasil. Agora, em “Aos Ventos que Virão”, na pele de Zé Olímpio, quase se torna prefeito. A carreira política está nos planos futuros de Rui Ricardo Diaz?

Rui Ricardo- Não, de maneira alguma (risos). Agora, este filme do Hermano é importantíssimo, extremamente atual, pelo que o país está vivendo no último mês. Quem bom que ele está sendo lançado agora, neste momento de efervescência, de protestos… E que isso implica, obviamente, na cultura, na sociedade como um todo.

O que foi mais difícil para você: dançar o forró, aturar o calor ou montar a cavalo ?

Rui Ricardo- As três coisas foram muito difíceis. Acho “entrego”, logo quando apareço dançando, que forró não é meu forte. Tive umas aulas, mas… Quanto à montaria, foi legal porque eu aprendi a montar, cheguei um mês e meio antes das filmagens e fui me familiarizando com os costumes do lugar, a forma de falar, todo esse laboratório. Além de me acostumar com as altas temperaturas do sertão.

Como foi a experiência de trabalhar com o Hermano Penna ? Um diretor que está muito acostumado a dirigir aqui em Sergipe e trabalhar com temáticas ligadas ao homem do sertão, fazendo um contraponto com a zona urbana ?


Rui Ricardo- Não tem coisa melhor que trabalhar com um diretor que domina o universo que pretende explorar. Ele tem profundo conhecimento do que está tratando e isso, é muito legal. Além do que, Hermano tem um trabalho de direção voltado para o ator e eu já sabia disso, quando fui convidado a participar do elenco. Eu brinco, dizendo que tem o cinema e o “cinema” do Hermano Penna.

Algum problema em se ver na telona ? Como você trabalha com a autocrítica ?

Rui Ricardo-  Acho que existe um mito em torno dessa história do ator se ver na tela, mas prá mim, não tem o menor problema, eu gosto da experiência. Eu quero ver se tudo funcionou, como ficou o enquadramento, se o resultado final ficou bacana e se dialoga com o espectador. Porque no cinema, no teatro, o que importa é se o diálogo com a plateia aconteceu. Agora, não posso negar que rola um certo nervosismo, principalmente, aqui hoje, por eu voltar ao Estado onde aconteceram as filmagens e interpretar um sergipano.

Quais seus próximos projetos  para o cinema ?

Rui Ricardo- Tem um filme da Tata Amaral e Caru Alves, chamado “De Menor”, que está aguardando o lançamento e eu interpreto um Promotor de Justiça. Também já rodei o filme “Rondon: o Grande Chefe” de Marcelo Barreto ( com os mesmos produtores de “Lula, o Filho do Brasil”), que além de estrear nos cinemas, também deverá chegar, em breve, no formato de série para TV.

Crédito da foto: Marco Vieira

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