Cinema Críticas

Documentário “Modo de Produção” peca pelo Didatismo

Cena de "Modo de Produção" de Dea Ferraz que entrou em cartaz no circuito comercial (Foto: Beto Figueiroa)

Por Suyene Correia

O documentário “Modo de Produção” de Déa Ferraz chega com um pouco de atraso ao circuito comercial. Somente agora, depois de sete anos de realizadas as filmagens e três de finalizado, o filme deixa de ser um produto restrito ao circuito de festivais e pode ser conferido em sete capitais, incluindo Aracaju (Cine Vitória) e o Distrito Federal.

“Modo de Produção” centra-se no Sindicato de Trabalhadores Rurais de Ipojuca, Canela e Nossa Senhora do Ó, a cerca de 60 km do Recife. A câmera de Ferraz flagra detalhes do prédio simples  por onde, diariamente, passa uma massa de trabalhadores rurais, atrás de orientação jurídica, a fim de lidarem com demissões, vínculos laborais e entrada na aposentadoria. É uma pena que esse “olhar” mais curioso, observador, detenha-se pouco ao que acontece no entorno do foco central: trabalhadores de diferentes faixas-etárias, que passam pelos mesmos problemas no ambiente de trabalho- sobrecarga laboral, salários injustos, assédio moral- e procuram o sindicato para orientação jurídica.

Em mais da metade da duração do documentário (que tem 76 minutos), acompanhamos os advogados orientarem seus clientes a como proceder nos diferentes casos. São diálogos protocolares que pecam pelo didatismo e pela repetição. O filme tem raros momentos de “respiro”, quando entram em cena alguns funcionários/voluntários de outras áreas que interagem com os trabalhadores que circulam pelo sindicato.

Ainda que seja um filme denúncia sobre as complexas relações entre Capital, Estado e Justiça e chegue ao circuito em plena vigência da nociva reforma trabalhista implementada pelo Governo Federal, “Modo de Produção” poderia ousar mais e ultrapassar os limites burocráticos do sindicato. Inclusive, os roteiristas Dea Ferraz e Ernesto de Carvalho poderiam ter utilizado estratégias narrativas com o intuito de aproximar o espectador dos trabalhadores rurais, ao mostrar seu cotidiano e anseios.

O documentário é uma coprodução das empresas pernambucanas Alumia Conteúdo, Ateliê Produções e Parêa Filmes, com produção associada da Janela Gestão de Projetos, financiada com recursos do Concurso Rucker Vieira, da Fundação Joaquim Nabuco, do Funcultura-PE e do Fundo Setorial do Audiovisual/Ancine.

O filme será exibido nesta segunda-feira, às 16h45, no Cinema Vitória (Rua do Turista- Centro).

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