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7a Edição de Todos os Gêneros debate Masculinidade

O ator baiano Fábio Osório Monteiro apresenta a performance "Bola de Fogo" (crédito da foto: Patrícia Almeida)

A 7ª edição de Todos os Gêneros: Mostra de Arte e Diversidade, que o Itaú Cultural realiza neste ano de 24 a 30 de agosto, integralmente online ( www.itaucultural.org.br  ) traz como tema a masculinidade. Voltada especificamente para as questões de identidade de gênero, sexualidade, corpo e afetividade, ela reúne convidados que abordam, em rodas de conversa e programação artística, as formas diversas como os homens se entendem e se comportam, cada um em seu universo.

Durante a última semana de agosto, o público terá a oportunidade de acompanhar conversas com formadores de opinião, artistas, ativistas e pensadores convidados, como Tiago Koch, criador do projeto Homem Paterno. Pode também assistir a espetáculos como Barrela, texto de Plínio Marcos encenado pela companhia Cemitério de Automóveis, cujo enredo trata da violência sexual nos presídios masculinos, assim como cenas de dança e teatro feitas a partir do pensamento sobre a masculinidade recebida e a masculinidade criada.

O encerramento fica por conta dos shows permeados pelo universo musical queer do rapper paulista Rico Dalasam e do cantor pernambucano Ciel Santos. Para preparar os visitantes virtuais a esse mergulho na temática desse ano, o site do Itaú Cultural disponibiliza, no dia 21, uma publicação digital com textos e ilustrações de artistas convidados, também norteados pelas masculinidades.

Programação

Todos os Gêneros abre no dia 24 de agosto, às 18h30, com Filho Homem. A ficção teatral trata das diferenças e proximidades entre dois irmãos, que foram criados um para ser homem e o outro para ser mulher. No elenco, a ator carioca Bernardo de Assis.

A exibição antecede a primeira mesa desta edição, que, a partir das 19h, coloca em pauta a questão Masculinidades em Trânsitos. Permeada pelos repertórios de vida e formas de construção das masculinidades dos convidados, a conversa mediada por Thiago Rosenberg, produtor e editor de conteúdo do Itaú Cultural, reúne o jornalista gaúcho Airan Albino, o quadrinista transmasculino paulista Lino Arruda e o escritor pernambucano Marcelino Freire. Também de Pernambuco, o poeta Miró faz uma participação especial, dando voz ao poema que escreveu especialmente para a publicação da mostra.

A roda de conversa A Construção das Masculinidades dá início à programação da terça-feira, 25, às 17h, com o carioca Jordhan Lessa, primeiro homem trans publicamente reconhecido da Guarda Municipal da Cidade do Rio de Janeiro, o terapeuta baiano Marcus Boaventura, que atua como facilitador de grupo de homens, e o antropólogo pernambucano Sirley Vieira, coordenador da Rede de Homens Pela Equidade de Gênero (RHEG) e do Instituto Papai. A mediação é do mineiro Guilherme Valadares, fundador do Papo de Homem, portal de conteúdo e de formação e transformação das masculinidades.

No mesmo dia, às 20h, entra no ar Oboró, um conjunto de cenas teatrais dos atores Cridemar Aquino, Drayson Menezzes e Sidney Santiago Kuanza, gravadas especialmente para esta edição de Todos os Gêneros. Com texto de Adalberto Neto e direção de Rodrigo França, a exibição retrata a realidade e a subjetividade de homens negros, marcadas por questões como a hipersexualização do corpo e a busca por perfeição em troca de um lugar ao sol numa sociedade de estrutura racista.

O terceiro e último debate da programação entra no site no dia 26, às 17h, com o tema Paternidades. Mediada por Viviane Duarte, fundadora e CEO da iniciativa Plano Feminino e presidente do Instituto Plano de Menina, a mesa promove uma troca de experiências entre o paulista Luis Baron, criador do Canal Topassado, o capoeirista e bailarino pernambucano Orun Santana e o naturólogo gaúcho Tiago Koch, criador do projeto Homem Paterno.

A quarta-feira conta, ainda, com a exibição, às 20h, do espetáculo Bola de Fogo, do ator e diretor baiano Fábio Osório Monteiro. Ele faz uma performance de si próprio enquanto prepara e frita a massa do acarajé. A peça estreou em janeiro de 2017, quando o artista, tentando resistir às dificuldades na época, se tornou baiana de acarajé, com registro oficial na Associação Nacional das Baianas de Acarajé e Mingau, ABAM.

Palco

De quinta-feira a domingo, a programação artística domina as atividades da sétima edição de Todos os Gêneros. O olhar sempre atual da obra do dramaturgo paulista Plínio Marcos (1935-1999) entra em cena na quinta-feira, 27, com a encenação feita pela companhia Cemitério de Automóveis de Barrela, primeiro texto do autor. A direção do espetáculo é de Mario Bortolotto.

Na sexta-feira, 28, tem início a série de apresentações de cenas para web feitas por cinco artistas convidados a partir da provocação: a masculinidade que me deram e a masculinidade que criei. Às 20h, entra no ar Kaddish, uma Oração para os Homens que Eu Matei, do dramaturgo e ator paulista Ronaldo Serruya, que parte da reza tradicional judaica em homenagem aos mortos, recitada pelos filhos homens da pessoa falecida, para abordar o modelo masculino judaico-cristão que o formou.

No mesmo horário, também entra em cena C(h)ancela 24. Nele, o artista e professor pernambucano Elilson parte da representação do número 24, que remete à figura do “veado” e à condição de ser “viado”, usado como xingamento contra homens gays no Brasil, para fazer uma ação-tributo a um irmão, também homossexual, que se suicidou aos 24 anos.

Sábado, 29, é dia de dança conduzindo as três cenas exibidas também a partir das 20h. Em CorazA, o amazonense Odacy Oliveira reflete sobre a couraça como resultado do medo e da vergonha de ser livre. Para Não Dançar em Segredo, do performer André Vitor Brandão, de Pernambuco, revisita memórias e construções identitárias de gênero, abordando as problemáticas da construção de uma masculinidade hegemônica no sertão.

Nkisi Hongolô – A Divindade do Arco-Íris, do coreógrafo gaúcho Rui Moreira, por sua vez, aborda a masculinidade como um princípio energético dinâmico que pode ser alterado, ficando a cargo de cada um construir a sua. A sétima edição da mostra Todos os Gêneros, fecha no domingo, dia 30, com sua programação inteiramente dedicada à música, com a participação de artistas cujos trabalhos são permeados pelo universo queer.

Quem abre a noite, às 20h, é o cantor Ciel Santos. O artista cresceu no vilarejo de Sacapurana, zona rural de Bezerros, agreste pernambucano, e  hoje se define como um brincante de saia e batom. Ele apresenta ao público faixas do disco Enraizado. O número final é do rapper paulista Rico Dalasam, que apresenta o pocket-show do recém-lançado disco Dolores Dala Guardião do Alívio.

Toda a programação pode ser acessada pelo site do Itaú Cultural: www.itaucultural.org.br

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