Dança/Teatro Espetáculos

FASC 2019 celebra a Resistência da Arte e da Cultura Sergipana

Mamulengo de Cheiroso apresenta teatro de bonecos "Vitalina Tira Pó" (Foto: Haline Farias)

Texto: Katiane Peixoto e Haline Farias / Fotos: Haline Farias *

Uma reunião entre música, dança e teatro marcou o penúltimo dia do Festival de Artes de São Cristóvão (FASC 2019), no sábado, 16/11. Grupos de artistas sergipanos se apresentaram no palco Mariano Antônio, no Largo da Matriz, e encheram os olhos do público presente.

O primeiro grupo a se apresentar foi o Teatro de Bonecos Mamulengo de Cheiroso, com o espetáculo “Vitalina Tira Pó”. O grupo possui 41 anos de existência e se consolidou junto ao FASC. “A gente tem uma relação muito especial com o evento e, desde a retomada, estamos participando cada ano com um espetáculo diferente”, afirmou Mayra Alves, atriz e artesã do grupo.

Em sua quarta geração de participantes, o grupo reúne mais de dez pessoas e levou para o FASC a inovação da inclusão de crianças. Com muito entretenimento e interação com o público, o Mamulengo de Cheiroso reforça a antiga forma de expressão artística do teatro de bonecos no país. “Nesse momento de censura que estamos enfrentando, reafirmar a importância da nossa cultura é essencial. E esse é o lema do Festival: Resistir para Existir”, declarou Mayra.

Cia de Dança Nu Tempo apresenta espetáculo “Lembranças de uma Época” (Foto: Haline Farias)

Logo após, quem subiu ao palco foi a companhia de dança Nu Tempo, com o espetáculo “Lembranças de uma Época”, primeira participação da companhia no evento. “Participar de um festival artístico desse tamanho é algo que a gente espera há muito tempo. Ter a oportunidade de mostrar a nossa arte para as pessoas é muito gratificante”, disse Ingrid Yamamoto, bailarina e professora de balé clássico da equipe.

A apresentação teve mais de uma hora de duração e foi preparada com base nas raízes nordestinas. “Trouxemos as memórias da cultura numa linguagem contemporânea, desconstruída, para não entrar no clichê”, informou Ingrid. Ela conta, ainda, que com muitos obstáculos, o espetáculo está ativo há cerca de um ano. “Estamos trabalhando diariamente nesse projeto e, para conseguirmos fazer o nosso trabalho, temos que resistir todos os dias”, disse a bailarina, confirmando o lema do Festival.

As performances arrepiaram e emocionaram o público, transparecendo a sensibilidade da comunicação através da arte. De crianças a idosos, todos foram envolvidos pelos espetáculos. “Cada apresentação me deixa emocionada. É uma forma de perceber que nossas raízes ainda estão vivas”, constatou a aposentada Josenilde Gois, turista natural da cidade de Moita Bonita, distante 75,5 km de São Cristóvão.

*Graduandas do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Sergipe

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