Dança/Teatro Espetáculos

Tragédia Grega e Mito Afro unem-se em “Saluba.Medeia”

O Grupo Caixa Cênica não para. Depois da montagem, em maio, de “O Natimorto- um musical silencioso”, baseado no romance de Lourenço Mutarelli, agora a trupe prepara-se para a estreia de “Saluba.Medeia”, amanhã, às 20h, no Teatro Lourival Baptista.

Dirigida por Celso Jr. (que também interpreta Jasão), o espetáculo é baseado na tragédia grega- “Medeia”- escrita por Eurípides, que traz como tema central, as deformações da ideia do amor desmedido de uma mulher, cujas ações funestas, provocam a morte de seus próprios filhos, como meio de atingir o ex-marido que a abandonou em troca de um casamento mais promissor.

No sistema mitológico da Antiguidade, Medeia é a mulher bárbara que, para ultrajar o marido infiel, Jasão, afronta as leis humanas e divinas, matando os próprios filhos. Nessa montagem, quem interpreta a personagem título é Diane Veloso. Completam o elenco, a produtora da peça e atriz Lelia Magalhães que vive três personagens: Ama, Pedagoga, Corifeu e o cenógrafo e ator Denver Paraizo que vive Creonte.

Engana-se, quem pensa assistir a uma peça nos moldes do teatro clássico. A intenção desta versão do texto de “Medeia” é buscar elementos contemporâneos que facilitem o acesso e compreensão de todos os elementos da trama para o público atual, sem prejuízo para a lírica, presente no texto original de Eurípides. Para esta versão, o diretor utilizou como referências as traduções de Millôr Fernandes, Mário da Gama Cury e Flávio Ribeiro de Oliveira, assim como a versão romanceada voltada para adolescentes, escrita por Valérie Sigward.

A palavra “Saluba”, inserida no título do espetáculo, não é gratuita. A saudação em yorubá, utilizada para a chegada de Nanã (a mais velha das orixás femininas, rainha das águas profundas) nos cultos, é o elo de ligação que o diretor Celso Jr. estabeleceu com a mitologia do candomblé, e de uma certa forma, aproximá-la da realidade brasileira.

Na nova peça do Grupo Caixa Cênica, Medeia e Jasão deverão ser identificadas como os orixás Nanã e o jovem Oxalá, devido à relação de atrito e disputas coincidentes entre eles. Na mitologia afro-brasileira, Nanã foi desposada por Oxalá apenas por interesse deste, e esta relação gerou um filho deformado (Omulu) que Nanã teria jogado num rio, logo após o nascimento. O mito africano segue com a punição de Nanã, cujo segundo filho (Oxumarê) seria lindo, porém não ficaria jamais perto da mãe.

Desta maneira, Medeia estará vestida com as cores atribuídas a Nanã (lilás e roxo) e o Jasão com as cores atribuídas ao jovem Oxalá (branco e azul), além disso, algumas das características marcantes das personalidades dos orixás deverão ser utilizadas na composição das personagens gregas.

A peça ficará em cartaz no Teatro Lourival Baptista até 1º de setembro com apresentações às sextas-feiras e sábados, às 20h e no domingo, às 19h.  Sendo que na sexta, o espetáculo é gratuito para alunos de escolas públicas e estudantes do curso de Artes Cênicas da UFS  pagam R$ 5. Para o público em geral os ingressos custarão R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada). Mais informações pelo telefone 3179-1970.

Crédito da Foto: Victor Balde

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