Literatura Notícias

Manoel de Barros “ocupa” o Itaú Cultural

Manoel de Barros em momento relax na varanda de sua casa (Foto: Lucas Barros)

O poeta mato-grossense Manoel de Barros ganha homenagem no Itaú Cultural, em São Paulo, através da série “Ocupação”. O projeto, que está na sua 43a edição e já homenageou personalidades como cartola, Nise da Silveira, Hilda Hilst, Paulo Leminski, Nelson Rodrigues, entre outros, apresenta na “Ocupação Manoel de Barros”-em cartaz até 7 de abril- um pouco do universo do escritor falecido no dia 13 de novembro de 2014.

Manoel Wenceslau Leite de Barros, ou simplesmente, Manoel de Barros descobriu sua vocação para a poesia, através da obra de Pe. Antônio Vieira, ainda no ginásio. Durante o curso de Direito (entre 1934-40), escreveu sonetos influenciado pela obra de Camões e entrou em contato com a produção de autores modernistas, como Carlos Drummond, Manuel Bandeira e Mário de Andrade. Porém, ao ler seus poemas, parece claro que sua maior inspiração foi a biodiversidade do Pantanal mato-grossense, já que pássaros, árvores, lagartos, rios e sapos são constantemente evocados em seus versos.

Esta ocupação é uma caminhada por  livros e desenhos, mapeamentos afetivos, palavras transformadas em matéria e muitas texturas. Quando se chega ao hall do Itaú Cultural, avista-se, logo, o espaço cenográfico num azul vivo que se combina com as cores de goiaba  dos  papéis reciclados que forram as paredes e os painéis suspensos no centro da mostra. Ao entrar no espaço, em formato circular, semelhante à concha de um molusco, o visitante depara-se com um caminho de letras e livros e, inevitavelmente, com o desenvolvimento do processo criativo do poeta.

Barros confeccionou e usou mais de 100 caderninhos de rascunho. Seis deles são exibidos de forma completa e integral e outros esboços estão espalhados na “Ocupação” que conta ainda com fotos do escritor em diferentes fases de sua vida, suas primeiras publicações, autorretratos escritos, caixinhas de lápis e de canetas e desenhos de sua autoria (esse abaixo faz parte do livro “O Guardador de Águas”) e de sua filha- a artista plástica Martha Barros- que ilustraram alguns de seus livros. Há também trechos de entrevistas e fones de ouvido onde o público pode desfrutar da poesia de Manoel de Barros sendo recitada por ele mesmo, pelo escritor Marcelino Freire e pela pesquisadora da cultura indígena Marlui Miranda.

Num grande telão situado no centro do espaço expositivo são projetados poemas  coloridos. É um convite para a aproximação do visitante a este universo de Manoel de Barros que enxerga beleza em caramujos e lesmas e escrevia sobre o nada, “aprendimentos”, apanhadores de desperdícios ou o menino que carregava água na peneira.

Pensando na ampliação do acesso ao público, outros nichos apresentam vídeos com interpretação na Língua Brasileira de Sinais (Libras). Os tradicionais audioguias, para orientar as pessoas cegas ou de baixa visão no espaço expositivo, inovam ao mesclar videoguia e audiodescriação com material de arquivo que apresenta documentação exposta na mostra.

Uma publicação e um hotsite elaborados especialmente pelo Núcleo de Comunicação do Itaú Cultural complementam e incrementam a “Ocupação Manoel de Barros”. A publicação, distribuída gratuitamente para o visitante, apresenta um conjunto de respostas anotadas pelo poeta para perguntas que lhe foram enviadas por jornalistas ou não. Elas estão separadas por temas – autorretrato, criação, palavra, relação com a mídia, infância, modo de trabalho, natureza, referências, morte –, mostradas com a imagem original, manuscrita ou datilografada, e entremeadas por poemas.  As interrogações ficam por conta da imaginação do leitor, já que não acompanham as respostas. As únicas que aparecem são as que foram as feitas por um grupo de crianças de 7 a 12 anos.

Já o hotsite (www.itaucultural.org.br) traz textos e depoimentos gravados sobre o homenageado. 12Entre os depoimentos gravados, encontram-se os da escritora e apresentadora Bianca Ramoneda, da atriz Cássia Kiss, do jornalista Carlos Savaget, de sua filha, Martha Barros, do neto Felipe Barros de Escobar, além dos biólogos Hugo Aguilaniu, Nurit Bensusan, Bruss Lima, do Instituto Serrapilheira, no Rio de Janeiro.

A “Ocupação Manoel de Barros” prossegue até o dia 7 de abril no Itaú Cultural, localizado à Av. Paulista, 149. A visitação é gratuita e a ocupação está aberta ao público de terça a sexta- feira, das 9h às 20h (permanência até as 20h30) e aos sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h.

Compartilhar:

Comentários

Clique para comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade