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Salão de Literatura não atraiu Público no Primeiro Dia do FASC 2019

Braian acredita que a economia criativa é um meio para resistir à crise (Foto: João Vitor Moura)

Texto: Abel Serafim/Fotos: João Vitor Moura *

“O Impacto da Cultura Sergipana na Economia Criativa do Brasil” foi o tema da palestra apresentada pelo designer gráfico, ilustrador, escritor e ativista social Braian Thomas de Jesus Rodrigues, 22 anos, na tarde de ontem, primeiro dia de atividades do Salão de Leitura do FASC 2019. Apesar do público minguado (apenas oito das 73 cadeiras foram ocupadas), ele apresentou a cena da economia criativa no Brasil e em Sergipe, com o intuito de mostrar como a criatividade pode, além de gerar renda, preservar a cultura.

Segundo o Sebrae, economia criativa é “o conjunto de negócios baseados no capital intelectual e cultural e na criatividade que gera valor econômico.” A Feirinha da Gambiarra (realizada mensalmente no Parque da Sementeira, em Aracaju), uma empresa que promove tour de bicicleta na capital e uma desenvolvedora de games foram exemplos de negócios sergipanos da economia criativa citados por Braian Thomas. Ele também apontou a tradicional renda irlandesa como exemplo de como as pessoas conseguem movimentar a economia através dos saberes passados de geração para geração.

Para o designer, “quando você produz algo com base em uma ideia, você está fazendo economia criativa.” E o FASC, que exibe a diversidade das artes e da cultura, entre outros aspectos, “nada mais é do que um festival de economia criativa de São Cristóvão”, concluiu o palestrante.

Cadê o público?

A intervenção literária, que encerraria a programação do primeiro dia do Salão de Literatura do FASC 2019, montado no Salão Paroquial da Igreja Nossa Senhora da Vitória, foi cancelada por falta de participantes. O poeta Pablo Valadares, que conduziria a atividade, disse que o dia não foi apropriado para sua apresentação, uma vez que seu público é jovem e, normalmente, vai ao Festival no fim de semana.

Os escritores que estavam vendendo suas obras na área de literatura do evento reclamaram da invisibilidade e do fluxo lento de visitantes. O Salão Paroquial fica no meio de dois prédios e está instalado no fundo desta área. Do espaço, pouco se vê a Praça Getúlio Vargas, onde há uma feira gastronômica e de artesanato e pela qual passam cortejos.

O escritor Joelino Dantas disse que estava garimpando leitores, porém o local – comparado por ele a um “breu” – dificultava o alcance do objetivo. “Aqui é um local literalmente isolado, inapropriado para chamar de Salão de Literatura. A festa está na praça, o povo está na praça. Aqui não tem ninguém. Só o povo que está trabalhando”.

Aumir Ribeiro lança seu primeiro cordel “O Valor do Umbuzeiro” (foto: João Vitor Moura)

Para o cordelista Aumir Ribeiro, o espaço é importante para a literatura e a valorização da cultura, porém o local reservado pelo evento ficou “recuado”. Na opinião dele, o melhor lugar para a atividade seria a praça. Já o cordelista Chiquinho do Além Mar disse que é difícil vender cultura, por isso é importante que as pessoas vejam a cena cultural. “A gente precisa de gente para mostrar o nosso trabalho. Esse local, aqui, ficou um pouco escondido e vai ter um fluxo de gente muito pequeno.”

O prefeito de São Cristóvão, Marcos Santana, classificou as críticas ao espaço como “injustas”. “O FASC acontece na cidade inteira. Se eu tenho sede, eu tenho de ir onde tem água para beber. Se eu gosto de música, vou para o espaço de música. Se gosto de literatura, eu vou para o espaço de literatura. Não importa onde esteja o espaço.”

O prefeito afirmou ainda que, no ano passado, o Salão de Literatura foi instalado no meio da Praça, mas a organização percebeu que o local sofria a interferência dos sons dos palcos, o que prejudicava o desenrolar das atividades da área. Ele disse que os locais de atividades estão sendo bem divulgados para o público do evento, por meio de um folder que contém um mapa de todas as localidades do Festival.

*Graduandos do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Sergipe

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