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Sergipanidade e Baianidade: Mesa Debate aconteceu ontem no FASC 2019

Luiz Eduardo Oliva e Álvaro Vilela debateram sobre "Sergipanidade e Baianidade: antropofagias culturais afins" (Foto: Joyce Félix)

Texto: Jailton Fabrício/ Fotos: Joyce Félix *

A mesa “Sergipanidade e Baianidade: antropofagias culturais afins”, ocorrida no Salão de Literatura José Augusto Garcez do Festival de Artes de São Cristóvão (FASC 2019), no último domingo (17/11), discutiu a correlação entre as culturas de Sergipe e Bahia. O mediador e idealizador da mesa, Luiz Eduardo Oliva, sergipano natural de Riachão do Dantas, explicou que o gancho para a realização do debate são os duzentos anos de emancipação política de Sergipe em relação à Bahia, a serem completados no ano que vem. A separação dos dois estados foi determinada por meio de decreto assinado por Dom João VI, em 8 de julho de 1820.

E o que seria sergipanidade e baianidade? Para Luiz Eduardo, sergipanidade “é tudo o que o sergipano faz, e o sergipanismo é tudo o que ressoa de Sergipe fora do estado”. O mesmo conceito serve, analogamente, para a baianidade. A antropofogia cultural seria uma devoração cultural das técnicas importadas de um estado para o outro. Assim, os dois estados produzem culturas diferentes, que se identificam e se mostram parecidas em algumas demandas por conta da proximidade e convergência entre eles.

Estavam previstas as participações de: Paloma Amado, escritora, soteropolitana e filha do escritor Jorge Amado; Clóvis Barbosa, sergipano, advogado e crítico literário; Carlos Pina, procurador e conselheiro do Tribunal de Contas de Sergipe; e Gilfrancisco Santos, jornalista, escritor e professor de Letras. De acordo com Luiz Oliva, todos os convidados tiveram imprevistos. A solução para que o debate acontecesse foi convocar Álvaro Villela, fotógrafo soteropolitano que há muitos anos vive em Sergipe. O intuito é que no Festival do próximo ano ocorra outro debate similar ao deste ano.

Álvaro contou que precisou sair da Bahia para entender as suas raízes. Formou-se em Jornalismo na Universidade Federal de Sergipe e foi aqui no estado que aprendeu a dar mais valor à sua própria terra. Para o fotógrafo, existe uma necessidade de reafirmação da cultura local. “A importância de buscar e entender suas raízes é você, a partir disso, saber como se portar no mundo”, afirma.

A mesa foi idealizada com intenção de mostrar de que forma a cultura sergipana e a baiana interagem. Para o mediador, a cultura da Bahia tem muito a ver com oriundos de Sergipe e vice-versa. “Existe uma simbiose entre a cultura baiana e sergipana, mas não é uma simbiose antropofágica meramente da cultura baiana com relação à sergipana. Sergipe resiste e ajuda na cultura baiana também”, relatou.

A plateia proporcionou o debate com diversas indagações. Foram levantadas questões como o fato de a sergipanidade ser um sentimento recente do sergipano; a visão que temos de que tudo que vem de fora é sempre melhor, dentre outras. A estudante de Psicologia, Francilene Dantas acompanhou o bate-papo do início ao fim. Para ela, o debate a fez pensar sobre o próprio fato de ser sergipana. “Gostei da mesa porque ela nos fez refletir sobre coisas que geralmente deixamos de lado. Devemos valorizar mais a nossa cultura. O sergipano precisa apreciar mais o próprio sergipano. Eu mesma estou inclusa”, reforçou.

Luiz Oliva aproveitou a entrevista para fazer uma crítica com relação à divulgação da mesa. Durante o debate, comentou sobre a procura do público apenas para as atrações musicais do Festival. “A coordenação do FASC deve procurar acentuar mais a divulgação. Ela já nos concede o espaço, mas também deveria levar as pessoas a virem aos debates”, pontuou.

*Graduandos do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Sergipe

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