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Taylane Cruz prepara Dois Novos Livros Depois do Sucesso no FLIARAXÁ 2019

Taylane Cruz no lançamento de "A Pele das Coisas" no FLIARAXÁ 2019 (Foto: Mara Adélia)

Sentada à minha frente, numa das mesas dispostas no mezanino da Livraria Escariz do Bairro Jardins, zona sul de Aracaju, a escritora e jornalista sergipana Taylane Cruz, lembra com riqueza de detalhes de um encontro que teve com o contista Antônio Carlos Viana, nesse mesmo local, há cerca de quatro anos. Ele tomou conhecimento de sua escrita, a partir de “Aula de Dança e Outros Contos”, e diante da impressão positiva que  teve sobre seu livro de estreia, percebendo ecos de Clarice Lispector em sua curtas histórias, aconselhou-a: “saia daqui, circule, cruze a fronteira sergipana”.

Taylane seguiu a orientação de Viana. Há cerca de um mês marcou presença na 8ª edição do Festival Literário de Araxá (FLIARAXÁ), onde não só participou da mesa Mulheres Extraordinárias, sob curadoria de Márcia Tiburi, como também foi incluída na programação da Estação de Autógrafos, com seu segundo livro de contos, “A Pele das Coisas” (2018), ao lado de escritores como Evandro Affonso Ferreira, Antônio Carlos Secchin, Marina Colasanti, entre outros.

O convite para participar do evento que acontece na terra de Dona Beja, em junho, partiu de um dos organizadores do festival, o escritor Afonso Borges, depois que ele teve acesso à apresentação de “A Pela das Coisas” escrita por Antonio Torres. “Sabendo que haveria uma programação onde escritores consagrados iriam lançar seus livros com  jovens escritores,  enviei um email para Borges falando de meu interesse em participar. Ele gostou da apresentação do livro, feita pelo imortal Antonio Torres e me convidou para participar do evento, alegando que seria uma ótima oportunidade de eu conhecer, pessoalmente, o escritor baiano”.

O bônus viria pouco tempo depois, com Taylane sendo surpreendida com mais um convite: o de participar da mesa Mulheres Extraordinárias sob a curadoria de Márcia Tiburi. “Fui pega de surpresa quando vi que meu contato tinha sido adicionado a um grupo de whatsapp, organizado por Márcia Tiburi. Ela dividiu os temas e enviou para cada escritora uma lista de possibilidades para que a gente escolhesse os assuntos para debater ou mediar nas mesas. Escolhi os temas “O que estamos partilhando uns com os outros quando estamos presentes diante do outro” e “Como a arte e a imaginação pode nos salvar do nosso desamparo?”, tudo sob a perspectiva da experiência da mulher escrevendo. Foi bonito porque fizeram essas mesas na área externa do hotel, no “Centro das Árvores”, uma experiência que deu certo, porque o público aderiu. As pessoas que participaram do debate realmente estavam interessadas em ouvir  e falar de suas experiências com a palavra”.

Parte da plateia que a ouviu debater os temas urgentes, na manhã de sexta-feira, dia 21 de junho, marcou presença na tarde de autógrafos do sábado, nas dependências do Tauá Grande Hotel de Araxá, acabando com os exemplares de “A Pele das Coisas”. “Foi muito bonita a recepção que tive lá pela plateia que me ouviu no debate”.

Após o sucesso no Festival Literário, Taylane Cruz divide seu tempo entre a produção de dois novos livros- o terceiro livro de contos e um de micro-crônicas- e a promoção de eventos como rodas de leitura, oficinas de escrita criativa e debates em torno da produção literária de escritoras negras. Para a escritora de 29 anos, os encontros literários vão muito além das feiras e festivais específicos.

“O que me interessa são os encontros proporcionados, por exemplo, pelas rodas de leitura, as chamadas tertúlias. Você reunir um monte de gente que gosta de ler e discutir a literatura,  faz com que a cena literária pulse, porque não se tem uma cena apenas com festivais literários ou feiras. Aqui em Aracaju, já existem alguns encontros de leitores em livraria ou cafés, espaços que com frequência estão recebendo rodas de leitura. Estou, inclusive, preparando uma conversa em torno da obra de Carolina de Jesus e Clarice Lispector. Mas qual o desejo disso tudo ? Partilhar um amor em comum. Lá no Fliaraxá, eu percebi como realmente a literatura e a palavra podem mobilizar esses espaços”.

Admiradora do estilo de Clarice Lispector, Machado de Assis, Katherine Mansfield e Anton Tchékhov, a contista, que prefere produzir no horário matutino e ao som de música clássica, adianta pouca coisa sobre as futuras publicações. Sobre o  novo livro de contos, gênero que se sente mais a vontade, diz que “está buscando muito imprimir nos personagens, uma tomada de consciência urgente. Eu trago contos com temas como violência, estupro, suicídio, mas sobretudo a violência do nosso coração. Eu busco esse coração humano tão impossível de se alcançar no seu todo. Sofri muito com a escrita desse terceiro livro, porque toco em feridas horríveis.  No geral, será um tanto mais sombrio que ‘A Pele das Coisas'”.

Já a publicação de crônicas- micro-crônicas poéticas, para ser mais exata-ela explica que demorou um pouco para “entender” aqueles registros. “Talvez, porque a poesia que escrevo não me agrade muito, enveredei por esse caminho da crônica-poética, já que o cotidiano sempre me afetou de alguma forma. Só que as histórias serão menos ficcionalizadas do que nos livros de contos que publiquei”.

Agora, é esperar para o lançamento em conjunto, que deverá acontecer em 2020. Enquanto isso, os interessados em conhecer o talento da escritora sergipana e sua habilidade em contar histórias curtas e potentes, podem adquirir o livro “A Pele das Coisas” (Editora Multifoco) nas principais livrarias da cidade ou diretamente com a autora pelo contato (79) 99632-3675.

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