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“Temos que viver cultura, nos reunir, o estado de alegria é revolucionário” disse Xico Sá, no Salão de Literatura do FASC 2019

Xico Sá debate sobre "Crônicas de Amor e Resistência" (Foto: Anna Marília Paiva)

Texto e Fotos: Anna Marília Paiva*

Crônicas de Amor e Resistência foi o sugestivo título proposto ao jornalista e escritor Xico Sá para a segunda atividade do Salão de Literatura na tarde da sexta-feira (15/11), na 36ª edição do Festival de Artes de São Cristóvão (FASC 2019). Sob a mediação da também jornalista Catarina Cristo, foram abordados diversos temas que povoam o atual debate público no Brasil, como a democratização da informação e do acesso à arte e à cultura.

Cearense do Crato, na região do Cariri, o premiado cronista destacou a importância da literatura regional, como a literatura de cordel, de origem nordestina, em defesa das questões sociais e políticas presentes no nosso dia a dia. “Não somos pobres de literatura, somos de uma riqueza extremada em oralidade, um mar de histórias orais, e o cordel demonstra essa riqueza”. Complementando, Catarina Cristo afirmou que “o cordel tira a literatura do pedestal, de um lugar inacessível, porque demonstra que ela está no cotidiano”.

Em um dos momentos do debate, aberto a várias interferências do público presente, formado por pessoas de todas as idades, o futuro da comunicação e do jornalismo no Brasil foi questionado. Para Xico Sá, que atuou por longos anos na Folha de S.Paulo e atualmente é colunista do El País Brasil, o jornalismo é uma profissão que segue se renovando a cada dia.

Público atento no debate de Xico Sá (Foto: Anna Marília Paiva)

“O jornalismo é uma arte de contar histórias, a arte de narrar, e isso não vai morrer. Os gregos precisavam contar histórias, o meu vizinho precisa que contem histórias para ele. O jornalismo não acabou e não vai acabar, porque ele envolve a arte de contar histórias. Fechou-se a janela do jornalismo tradicional, mas abriram-se novas possibilidades de se fazer jornalismo”, defendeu Xico Sá.

Em um momento do debate, o jornalista Silvio Santos perguntou ao convidado e à mediadora como lidar com a informação na era da pós-verdade. Para Catarina Cristo, esse é o grande debate de hoje: “temos que fazer uma checagem de dados infinita”. Seguindo a mesma linha, Xico Sá propôs que disciplinas que abordem a checagem de dados e informações façam parte do currículo escolar desde a primeira infância. “É uma questão de formação, devemos ensinar as nossas crianças, para que se tornem adultos capazes de analisar uma informação recebida e antes de repassá-la, conseguir realizar a identificação de uma fake news, desde a primeira infância”.

Quando o foco da discussão mudou para a democratização da informação, Catarina Cristo destacou que a internet é uma ferramenta importante, porque tudo é interligado, não dá para separar economia e política, pois elas andam lado a lado. “Durante muito tempo pequenos grupos familiares dominaram a verdade jornalística, isso é uma imposição de uma verdade”.

Ao final, Rafaela Pereira, coordenadora do Salão de Literatura do Fasc 2019, defendeu a importância desse espaço de intervenção em relação ao tema geral do Festival – “resistir para existir”. “Queremos fazer com que a literatura seja propagada e todos tenham acesso a ela por meio das produções literárias, principalmente de Sergipe, mas também a nível nacional.”

*Graduanda do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Sergipe (UFS)

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