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Banda Snooze encerra atividades mas ganha o Tributo “Snoozing All This Time”

Banda Snooze em uma das icônicas apresentações no Che Music Bar (Foto: Saulo Coelho)

Há cerca de dois anos, o publicitário, músico e produtor musical sergipano Gus Machado se deu conta do quanto a Snooze era uma das suas bandas preferidas, quando ao despertar numa certa manhã, cantarolou, no automático, uma canção do grupo de indie rock sergipano. Ali, ele percebeu que não se tratava de uma admiração qualquer. O quarteto sergipano estava no seu rol de bandas preferidas como Weezer e Bright Eyes e expôs seu sentimento de fã numa postagem nas redes sociais, tendo um feedback bastante positivo de outros aficionados pelo mesmo som.

Foi aí, que Machado teve a ideia de fazer um tributo à banda Snooze- surgida no início de 1993, em Aracaju, tendo como componentes, Guilherme Rebouças (voz e guitarra), Daniel Garcia (guitarra e backing) e os irmãos Fábio Oliveira (baixo) e Rafael Jr. (bateria)-, algo que não fugisse dos registros dominantes (plataformas de streaming), mas que conservasse o “espírito” dos encartes dos discos. “Pensei, então, em fazer esse tributo para a Snooze com um encarte virtual, que contasse a história da banda, funcionando como um memorial. A única coisa que eu não imaginava é que a banda ia terminar suas atividades (em novembro de 2019), no dia do lançamento da coletânea e do site”, explica Machado.

Da ideia inicial até o projeto ficar pronto- intitulado “Snoozing All This Time“-, Gus Machado foi se articulando com Rafael Jr. e Fábio Oliveira, a fim de pensar nas bandas que poderiam interpretar os hits da Snooze. Em parte, o trio curatorial escolheu  bandas que tivessem um vínculo emocional com a homenageada. Gus Machado também levou em conta, grupos e cantores com quem ele tivesse dividido o palco, na época em que participou da Road To Joy em Aracaju.

“Podemos dizer que tem duas gerações de bandas participando desse tributo. Uma geração anterior à minha, que dividiu a estrada com a galera da Snooze e outra que veio depois, que de uma certa maneira foi por ela influenciada. A partir daí, fomos entrando em contato com grupos e cantores e perguntando qual canção queriam interpretar e porquê, além de como eles tinham conhecido a Snooze”, conta Machado.

Ao todo, são 15 faixas contempladas no tributo, sendo ‘Love and Death (No Conclusions)’ cantada pelo próprio Gus Machado; ‘Snoozing All The Time’ interpretada por El Presidente; ‘Fado’ cantada por Dimetrius Ferreira;  ‘I Feel You’ (Alternative Version) defendida por Panço;  ‘Bottle’ interpretada por Renegades of Punk e ‘I Feel You’ com a banda Wry.  No site, é possível ter acesso a uma breve apresentação dos artistas envolvidos no tributo, bem como descobrir como eles conheceram o som da Snooze e porque escolheram as canções presentes.

 

Capa do terceiro disco da Snooze gravado em estúdio (Foto: divulgação)

Sobre a Snooze

Foi no final de 1992 para início de 1993, que a Snooze surgiu. Seus primeiros shows mais bem estruturados, no entanto, só aconteceriam no ano seguinte, em festivais, casas noturnas e campeonatos de skate. Segundo Rafael Jr., a banda mesclava composições próprias com covers de bandas que os componentes apreciavam, sendo fortemente influenciados pelo som da Sonic Youth, Pixies, Husker Du, REM, entre outras.

Em 1995, a Snooze registrou a primeira demo e após contato com fanzines e outras bandas da cena nacional, a repercussão foi positiva, tendo a banda sergipana conseguido espaço na mídia nacional. A formação foi mudando de tempos em tempos, sendo que de 1995-1998, a banda se resumiu a um trio: Daniel Garcia, Rafael Jr. e Fábio Oliveira, culminando com o lançamento de “Waking Up… Waking Down” (1998). No ano seguinte,  a Snooze volta a ser um quarteto com a entrada de Mauro Spaceboy. Em 2000, Daniel Garcia muda-se para São Paulo e  a banda volta a ser um power trio.

A filosofia da banda era pensar coletivamente, fortalecendo a cena local. Segundo Rafael Jr., bandas novas sempre os procuravam, procurando saber como chegar à grande mídia e aos principais festivais de rock do país. “Eu passava os contatos de selos e festivais, colocávamos essas bandas pra abrir nossos shows também, e acho que hoje há um reconhecimento desse esforço de pensar sempre coletivamente em prol do cenário como um todo”, diz Jr..

Quando questionado sobre o momento em que a Snooze surgiu e a cena musical em Aracaju, na época, o baterista da banda responde. “Eu não sou muito saudosista e não gosto de ficar falando ‘naquele tempo era bom’. Acho que as coisas melhoraram em termos de estrutura e profissionalismo e aconteceram alguns pequenos ‘booms’. Atualmente, tenho achado bem difícil uma banda independente sergipana se manter ativa e sempre tocando, mas temos ótimos exemplos e exceções. Aponto a The Baggios (claro, é um expoente), Cidade Dormitório, Todys Trouble e Renegades Of Punk como exemplos de determinação e trabalho árduo, mantendo atividade de shows e lançamentos de discos. A veterana Karne Krua é outra que nunca deixou de produzir e veio antes da gente e continua ‘chutando’ e fazendo as coisas acontecerem por meios próprios”.

De 2002 a 2004, a Snooze ganha um novo componente- Clínio Jr. (guitarra e backing). Juntamente com os irmãos Oliveira e Mauro Spaceboy, a banda grava o segundo disco intitulado “Let My Head Blow Up”. De 2004 a 2006, Marcelo Moura substitui Mauro Spaceboy, sendo que as guitarras do terceiro álbum, lançado em 2006, foram gravadas por Clínio Jr. e Marcelo Moura. De 2006 a 2018, passam pela banda Duardo Costa (baixo e guitarra), Leo Ximenes (guitarra), Luiz Oliva (guitarra). No último show da Snooze, realizado no 36º Festival de Arte de São Cristóvão (FASC), a banda se encontrava com a seguinte formação João Mario (guitarra), Luiz Oliva (guitarra), Fábio Oliveira (baixo) e Rafael Jr. (guitarra).

Em 2006,  saiu o último disco de estúdio, auto-intitulado “Snooze”, pela Monstro Discos em parceria com a Solaris Discos de Natal/RN. Em 2012, foi gravado o EP “Empty Star” com covers e sobras de estúdio, contando com a participação do tecladista James Bertisch em algumas faixas. Foi lançado por dois selos baianos: Brecho Discos e Big Bross.

Talvez, a Snooze após 25 anos de atividades, tenha sucumbido ao cansaço e às várias formações. A verdade é que um ciclo se fechou, mas a banda deixou um legado e esse tributo capitaneado por Gus Machado, Rafael Jr. e Fábio Oliveira serve para que novas gerações conheçam o som que marcou uma época no cenário musical sergipano.

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