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Cortejos agitam Ruas de São Cristóvão no FASC 2019

Batalá Sergipe conta com mais de 60 integrantes (Foto: Letícia Nery)

Texto: Eduardo Costa e Letícia Nery /Fotos: Letícia Nery *

Grupos folclóricos e musicais tomaram as ruas do Centro Histórico de São Cristóvão na tarde do sábado (16), terceiro dia do Festival de Artes (Fasc 2019) e o penúltimo dos cortejos que cruzam a cidade, animando o público. Cinco grupos se apresentaram: Chegança Feminina Amigas da Melhor Idade de São Cristóvão; Taieiras de São Cristóvão; Samba de Coco da Ilha Grande; Maracatu AsédOri e Batalá Sergipe. A concentração aconteceu na porta da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, de onde eles saíam com batuques e cânticos.

A Chegança Feminina, que abriu os cortejos desse dia, quebraram uma tradição, pois as cheganças que existiram tempos atrás eram compostas por homens e foram retomadas há pouco somente com mulheres. “Meu pai participou da Chegança há muitos anos e eu sempre assistia. A gente ensina para não deixar morrer”, destaca a “general” da Chegança, Efigênia Santos.

Em seguida, as ruas foram tomadas pelas Taieiras de São Cristóvão. O grupo foi criado pelo avô de Seu Jorge dos Santos, hoje com 85 anos, e do qual é mestre há 40 anos. Ele explica o que faz um Mestre: “Sem o Mestre, o grupo não funciona. Ele toma conta de seu grupo, das vestes às danças, passando pelas músicas, comportamento e até o dinheiro. É o responsável por tudo”. O público fez questão de registrar todos os passos sob seu comando.

O terceiro grupo dos cortejos foi o Samba de Coco da Ilha Grande, de São Cristóvão, que trouxe músicas e danças locais. “A gente quer alegria. Não podemos deixar essa cultura acabar, e aqui o grupo é valorizado”, lembra a Mestre Maria Madalena Santos, que aos 74 anos participa pela segunda vez do FASC.

Quem também esteve na quarta cidade mais antiga do Brasil pela segunda vez foi o Maracatu Asé d’Ori, formado em 2014, e que levou uma mensagem de resistência e luta, assim como o tema do Festival em 2019 – “Resistir para existir”. “A gente traz como hino o ‘Grito pela Liberdade’, homenageando heróis e heroínas da resistência. Este ano, escolhemos Marielle Franco, Mestre Moa e Caboclo Dois de Julho. O tambor é o nosso verbo e com ele vamos gritar”, enfatizou o coordenador do Maracatu, Bigato Pereira, antes de iniciar o cortejo.

As apresentações foram encerradas com o Batalá Sergipe, um grupo de percussão exclusivamente feminino que segue a tradição dos Batalás existentes em 23 cidades de 13 países. O primeiro foi criado em 1997 pelo músico baiano Giba Gonçalves, radicado em Paris, onde estudava composição e baixo. No Brasil, só existem dois: o de Brasília, com mais de 15 anos de estrada, e o sergipano, criado no início deste ano. A ideia é ser um diferencial em um espaço dominado por homens, para mostrar o poder e a força das mulheres, como pontua a regente Deise Raquel.

“Hoje é bem significativo ter esse grupo e não há porque ter uma separação. É de uma potência enorme, para além do empoderamento, pegar um tambor que chega a pesar quase nove quilos e trazer essa força. Se me identifico com o instrumento, não posso tocar porque sou mulher?”, questiona Deise.

A resposta veio do público. Com danças e muitos sorrisos, moradores e turistas aproveitaram o cortejo até o fim da tarde. “Adoro quando a cidade fica assim. Os grupos ficam concentrados aqui desde cedo. Isso mantém a cultura viva”, diz a técnica de laboratório Jucivânia Martins, 38, que mora em São Cristóvão há sete anos.

*Graduandos do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Sergipe

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